sábado, agosto 26, 2006

Tempo




Muitas vezes o que fazemos é ocultar os nossos problemas, dúvidas e medos. Fugimos deles em vez de os enfrentarmos e andamos assim a evitar calcar as minas que plantamos no terreno da vida, com receio que explodam e os outros se apercebam dos nossos medos. Se explodir temos que dar de caras com o que tentamos contornar e isso dói. Mas isso é crescer, é evoluir, é olhar para o fututro, é enfrentar o mundo com coragem e não ficar indiferente à vida. Os nossos grandes medos estão relacionados, na sua maioria, com sonhos que estiveram próximos de ser realizados mas que caíram por terra a meio ou perto do êxtase e tornaram-se num pesadelo, criando traumas e sofrimento. Como reagimos? Revoltámo-nos contra tudo e todos e, em vez de darmos mais uma hipóteses de sermos felizes, tornámo-nos aparentemente insensíveis e não queremos nada com os sentimentos porque estes estão doridos, feridos. Mas isto não resolve nada, fica lá o problema, a raiva e a dor contidos.
Fazemos assim um esforço contínuo e prolongado em vão, porque não nos leva a lado nenhum, não abre portas, não nos faz avançar na procura da felicidade e dos nossos objectivos. Assim o destino fica congelado e quando resolvemos dar mais uma hipótese partimos do ponto em que paramos.
Agora pergunto:
E aquele tempo em que nada fizemos para avançar? - Esse espaço de tempo em nada contribuiu para crescermos nem aprendermos nada, ficou apenas imóvel, estático, à espera que o descongelásse-mos, que usásse-mos o nosso calor (sentimento e sensibilidade) para o derreter. Esse tempo paira no vazio. É quase como um limbo no nosso destino. è tempo perdido, porque apesar de ter ficado em branco (como as páginas de um livro que ainda não foi escrito) ele fez parte da contagem decrescente para o fim.
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